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Naissius está de volta com seu segundo álbum,
o sombrio "Tanto Ódio"

Em novo trabalho embevecido com pós-punk, vocalista e guitarrista captura o dissabor do fim da inocência

Por Carlos Messias

 

Três anos após Síndrome do Pânico, disco de estreia de Naissius – projeto solo do compositor, vocalista e guitarrista Vinícius Lepore (ex-Limousine Drivers) –, o músico está de volta com o álbum Tanto Ódio, disponível em plataformas como Spotify, Deezer, iTunes e YouTube. Os acordes abertos e a levada folk do trabalho anterior cederam espaço a um clima melancólico e à estética pós-punk.  

 

Aos recém-completados 30 anos, o músico captura o dissabor do final da inocência, época da vida em que se percebe que idealizações românticas desmoronam, muitos sonhos não vão se realizar e as costas começam a latejar. “Chama Tanto Ódio, mas não é um disco violento. Mostra justamente como o ódio pode ser alguma coisa densa, mas ao mesmo tempo contida. São músicas que não vão assustar ninguém, mas causam incômodo. É esse pequeno desconforto que sentimos no dia a dia e vai se amontoando”, define Vinícius.

 

Ele trabalhou como programador da antiga MTV entre 2009 e 2013, logo, testemunhou de perto a mudança no negócio da música, como as estruturas foram ruindo e os artistas passaram a se ver desolados. “Hoje em dia o artista só tem um veículo, o Facebook, e um canal, o YouTube. É um gasto de energia muito grande se oferecer para um cenário que não está preparado para receber exatamente o que você está fazendo”, avalia o músico.  

 

O compromisso desregrado e a entrega involuntária marcaram o processo de criação de Tanto Ódio, disco gravado ao longo de um ano e meio no Caffeine Studio, em São Paulo. O proprietário, Luis Tissot, produziu o álbum, deixando as portas escancaradas para que o músico se entregasse. “Quando você entra em estúdio e tem apenas três horas para gravar, isso limita muito a sua produtividade. A gente chegava a fazer sessões de oito horas e isso me dava liberdade para fazer o disco do jeito que eu queria”, relembra Vinícius, que já há algum tempo vinha flertando com a ideia de trabalhar com Tissot. “Eu admirava muito o trabalho dele em bandas como Backseat Drivers, Jesus and the Groupies e a oneman band Fabulous Go-Go Boy from Alabama. Aí ele veio ver um show meu, conversamos de gravar o primeiro single e acabamos fazendo o disco inteiro juntos”, comemora Vinícius.

 

O primeiro single lançado foi Gigante, a segunda do álbum. Com guitarras que remetem ao new wave, tem levada mais pop e letra que fala sobre um sentimento de inadequação na relação corpo e espaço. As influências pós-punk vão de bandas como Joy Division, The Sound e Christian Death a The National, passando por Plebe Rude e até mesmo Renato Russo, especialmente pelo lirismo existencialista das letras e pelo vocal barítono. Isso aparece com clareza em faixas como Grande Evento, o segundo single, que abre com baixo pulsante e deságua em guitarras estrelares. Na sorumbática Redenção, que abre o disco, os acordes de violão conversam com um fuzz de guitarra que chega a lembrar Black Keys. A faixa deve ganhar videoclipe com imagens do impactante filme Asco (2015), de Ale Paschoalini.

 

O longa foi uma das muitas referências do músico na composição do cenário desolador criado em Tanto Ódio. “Várias coisas influenciaram: o cinema noir, Drácula,  a fotografia de Vivian Maier... Essa frieza do concreto com preto, branco, cinza. Tudo parecendo devagar, arrastado. Como se estivesse se desmanchando. Esse é o clima do disco”. Define o músico.

Foto por Jô Paiva
Foto por Jô Paiva

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